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1Sobre o viver.

Prefácio para uma exposição compósita.

Mesclada, heterogénea, incoerente, que não formando uma unidade de sentido, anseia nas suas variáveis pela complementaridade.

Olho composto apresenta-se assim como um problema antes de ser projecto, onde dois artistas partilham no mesmo espaço as suas faltas de sossego ou permanentes ansiedades estéticas.

O conceito de “sobrevivência” passou-lhes pela cabeça. E acreditam que possa ser razão de encruzilhada.

Crêem que essencialmente o devir lhes interessa: Como existo? Qual a nossa condição?

Olho composto, 2009

alheava

Projecto artístico de Manuel Santos Maia – “Alheava”: conjugação do pretérito imperfeito do verbo alhear, remete-nos para o passado; sinónimo de um outro verbo alienar. Define uma acção ou efeito de desviar; afasta; transferir; ceder a outrem. E em qualquer destas circunstâncias denuncia também um conjunto de significados de dimensão psicológica, tais como, viver num mundo abstracto; pôr-se de fora de um assunto; deslocado; distraído; esquecido; que perdeu o juízo.

 

http://manuelsantosmaia-alheava.blogspot.com/

http://manuelsantosmaia.blogspot.com/

Intitulado alheava, o projecto que o artista MSM tem vindo a desenvolver, desde 1999 até ao presente ano é constituído por duas fases.

Contemplando diversas práticas artísticas, como a instalação, a fotografia, o vídeo, a performance, o teatro e o som, as várias mostras da primeira fase têm sido apresentadas em diferentes países como Noruega, Espanha, Bélgica e Estados Unidos da América e em diversas cidades nacionais como Porto, Lisboa, Coimbra, Lagos, Oeiras, Guimarães, Braga, Cascais, entre outras.

A segunda fase do projecto realizar-se-á após a apresentação da totalidade das mostras da primeira fase e compreende uma viagem a Moçambique, ao país representado no projecto alheava[1].

Em termos temáticos, o projecto alheava, aborda o alheamento de Portugal relativamente ao passado colonial e pós-colonial e (re)apresenta a presença de África em Portugal e a presença de Portugal em África.

No projecto Alheava, as memórias estão inscritas nos documentos, nos objectos e nas histórias contadas pelos familiares do artista e em depoimentos e excertos de textos de pensadores, filósofos, historiadores, e poetas portugueses. Estas permitem ao observador reconstituir, rememorar e (re)conhecer o passado de Portugal e de Moçambique.

[1]  “Alheava” é a conjugação do pretérito imperfeito do verbo alhear, remete-nos para o passado; sinónimo de um outro verbo alienar. Define uma acção ou efeito de desviar; afasta; transferir; ceder a outrem. E em qualquer destas circunstâncias denuncia também um conjunto de significados de dimensão psicológica, tais como, viver num mundo abstracto; pôr-se de fora de um assunto; deslocado; distraído; esquecido; que perdeu o juízo.

“O título alheava surgiu da leitura da obra ” De Profundis Valsa Lenta”[1] de José C. Pires. Nesta obra, o romancista, caracteriza a condição da sua personagem como sendo alguém que vive um processo irreversível de perda de identidade que se traduz, por sua vez, numa perda da relação com o mundo, com os outros, com o passado e com o presente. A descrição da condição da personagem aproxima-se a um processo de despersonalização.”


Encerra ao público em geral ás 14h00.

A partir desta hora de encerramento, só serão aceites visitas por marcação com Hélder Castro – TLM: 918987248 -
Dia 20 de Junho a visita guiada só será efectuada até às 12h00

 

“Tournée”

Por, Fátima Séneca,

“Tournée” é um projecto de Francisco Eduardo que integra diversos componentes: o artista assume a posição de autor das obras em simultâneo com a de comissário da exposição dos trabalhos e a de director conceptual/co-produtor de um projecto expositivo; para desenvolver “Tournée” Francisco Eduardo colabora com José Maia, Sérgio Couto, Samuel Silva e Fátima Séneca, assumindo e tornando óbvio que o processo de trabalho se alimenta e se expressa através de diálogos que circulam numa equipa; o projecto é performativo porque será anunciado através de um cartaz único que o autor irá expor conforme se movimenta quotidianamente (1), numa apresentação pública do projecto que será completada e retomada na imprensa, em conversas, e na visita guiada que ocorrerá em cada exposição; os trabalhos, de Desenho, vão ser mostrados em diversos espaços com características muito díspares, numa itinerância nacional que se estima durar um ano e meio e que terá início no Porto na Galeria Dama Aflita no dia 18 de Abril; cada exposição é única, adequando-se inevitavelmente a cada contexto particular de mostra – espaço, atmosfera, público – e renovando-se constantemente, atendendo a que os trabalhos vendidos vão sendo gradualmente substituídos; os desenhos são originais de cópias porque Francisco Eduardo realiza à mão cartazes que lhe interessam, nivelando numa apropriação o que se considera único, seriado, original, cópia, falsificação, múltiplo, sucedâneo, descartável, efémero, transiente, popular, publicitário, do entretenimento, lúdico, ocioso, informativo, artístico ou coleccionável; a realização morosa, minuciosa, rigorosa e disciplinada dos trabalhos recupera aspectos do Desenho que podem ser considerados pouco expressivos por inorgânicos; Francisco Eduardo investiga o pensamento da arte quando resolve “desenhar em Inglês”, concordando que tanto as decisões formais como a reflexão crítica oscilam em torno de palavras e transcendem a imagem; e finalmente, o artista recria uma situação de mecenato mas inverte a sua posição habitual, decidindo que “Tournée” vai apoiar os CTT-Correios Portugueses, em vez de aguardar que esse organismo subsidie o projecto. “

1 À semelhança do que Mário Cesarinny, acompanhado de Alexandre O’Neil, terá feito quando às 11 da noite passeou a tela “O Operário” pela Avenida da Liberdade em Lisboa em 1947, numa exposição itinerante. Parece ainda interessante notar que Cesariny, entre 1953-58, esteve sob liberdade vigiada pela Polícia Judiciária lisboeta por ser suspeito de vagabundagem.

http://www.behance.net/Gallery/TournAe/150738

Francisco Eduardo

Nasceu em Aveiro em 1984 e estudou Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

Em 2006 apresentou “projecto individual – Francisco Eduardo” , uma exposição individual que aconteceu em simultâneo nas dezasseis galerias da Rua Miguel Bombarda no Porto.

Organizou e participou em diversas exposições e eventos colectivos, de onde se destacam “Ouve lá” em 2006, “Melhor Exposição no Bairro”, “The Winner Takes It All” e “Acabamentos da Vitória” em 2007.

Apresentou em 2005, na galeria Wasser Bassin, “The great pretender” , uma exposição comissariada por João Santos e André Sousa.

Organizou ainda nesse ano uma “peladinha performativa” no Museu da Faculdade de Belas Artes com a “Equipa B”, em “Terreno preparado por Francisco Eduardo”.

Em 2006, no museu de Serralves, realizou o projecto que apelidou”Ao meiínho com João Fernandes” , que envolveu a participação de 6 artistas e do próprio director do museu. Realizou uma performance novamente em novembro desse ano no Museu de Serralves, com a apresentação “Projecto Individual por Helena Menino”, a convite de Fátima Séneca. Participou ainda no festival “Copyriot” com a apropriação “O Senhorio” e respectivo lançamento de 3 fanzines no Porto. Realizou a exposição “Arroz – projecto individual” no museu da Faculdade de Belas Artes.

Em 2007 realizou as curtas metragens “BOCA” presente no Festival de Vila do Conde, “Ventile” e “Cristo Rei” apresentadas no Cinema Passos Manuel no Porto e “DATA” presente no festival Fast Forward em Braga.

Entre 2005 e 2008 foi editor da revista “[up]arte” e director de arte da revista Aguas Furtadas assim como co-fundador do grupo Forma-Cita .

Desenvolve, desde 2008, um projecto que intitula de Net-Arte, do qual se destaca:

http://www.iwanttohaveawebsiteequaltosagmeistersone.tk/

http://www.queriaterumsiteigualzinhoaodosagmeister2.tk/

http://franciscoerc.googlepages.com/

Franciso EduardoInauguração

sábado, 23 de Maio pelas 16 horas.

Termina dia
27 de Junho pelas 22h00.

O programa da inauguração:

- Abertura às 16 horas,
- Visita guiada às 16h30, repete sensivelmente de hora em hora.
- Encerra às 22h30

O espaço está aberto todos os dias, excepto ao domingo, das 11h00 às 22h30.
As visitas guiadas serão efectuadas ao sábado entre as 16h00 e às 19h00

“…cada exposição é única, adequando-se inevitavelmente a cada contexto particular de mostra  -  espaço, atmosfera, público  – e renovando-se constantemente, atendendo a que os trabalhos vendidos vão sendo gradualmente substituídos; os desenhos são originais de cópias porque Francisco Eduardo realiza à mão cartazes que lhe interessam, nivelando numa apropriação o que se considera único, seriado, original, cópia, falsificação, múltiplo, sucedâneo, descartável, efémero, transiente, popular, publicitário, do entretenimento, lúdico, ocioso, informativo, artístico ou coleccionável; a realização morosa, minuciosa, rigorosa e disciplinada dos trabalhos recupera aspectos do Desenho que podem ser considerados pouco expressivos por inorgânicos…”

 

http://www.behance.net/Gallery/TournAe/150738