Intitulado alheava, o projecto que o artista MSM tem vindo a desenvolver, desde 1999 até ao presente ano é constituído por duas fases.

Contemplando diversas práticas artísticas, como a instalação, a fotografia, o vídeo, a performance, o teatro e o som, as várias mostras da primeira fase têm sido apresentadas em diferentes países como Noruega, Espanha, Bélgica e Estados Unidos da América e em diversas cidades nacionais como Porto, Lisboa, Coimbra, Lagos, Oeiras, Guimarães, Braga, Cascais, entre outras.

A segunda fase do projecto realizar-se-á após a apresentação da totalidade das mostras da primeira fase e compreende uma viagem a Moçambique, ao país representado no projecto alheava[1].

Em termos temáticos, o projecto alheava, aborda o alheamento de Portugal relativamente ao passado colonial e pós-colonial e (re)apresenta a presença de África em Portugal e a presença de Portugal em África.

No projecto Alheava, as memórias estão inscritas nos documentos, nos objectos e nas histórias contadas pelos familiares do artista e em depoimentos e excertos de textos de pensadores, filósofos, historiadores, e poetas portugueses. Estas permitem ao observador reconstituir, rememorar e (re)conhecer o passado de Portugal e de Moçambique.

[1]  “Alheava” é a conjugação do pretérito imperfeito do verbo alhear, remete-nos para o passado; sinónimo de um outro verbo alienar. Define uma acção ou efeito de desviar; afasta; transferir; ceder a outrem. E em qualquer destas circunstâncias denuncia também um conjunto de significados de dimensão psicológica, tais como, viver num mundo abstracto; pôr-se de fora de um assunto; deslocado; distraído; esquecido; que perdeu o juízo.

“O título alheava surgiu da leitura da obra ” De Profundis Valsa Lenta”[1] de José C. Pires. Nesta obra, o romancista, caracteriza a condição da sua personagem como sendo alguém que vive um processo irreversível de perda de identidade que se traduz, por sua vez, numa perda da relação com o mundo, com os outros, com o passado e com o presente. A descrição da condição da personagem aproxima-se a um processo de despersonalização.”


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